Sarah Caires


sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Soberania

          Naquele dia, no meio do jantar, eu contei que tentara pegar na bunda do vento — mas o rabo do vento escorregava muito e eu não consegui pegar. Eu teria sete anos. A mãe fez um sorriso carinhoso para mim e não disse nada. Meus irmãos deram gaitadas me gozando. O pai ficou preocupado e disse que eu tivera um vareio da imaginação. Mas que esses vareios acabariam com os estudos. E me mandou estudar em livros. Eu vim. E logo li alguns tomos havidos na biblioteca do Colégio. E dei de estudar pra frente. Aprendi a teoria das idéias e da razão pura. Especulei filósofos e até cheguei aos eruditos. Aos homens de grande saber. Achei que os eruditos nas suas altas abstrações se esqueciam das coisas simples da terra. Foi aí que encontrei Einstein (ele mesmo — o Alberto Einstein). Que me ensinou esta frase: A imaginação é mais importante do que o saber. Fiquei alcandorado! E fiz uma brincadeira. Botei um pouco de inocência na erudição. Deu certo. Meu olho começou a ver de novo as pobres coisas do chão mijadas de orvalho. E vi as borboletas. E meditei sobre as borboletas. Vi que elas dominam o mais leve sem precisar de ter motor nenhum no corpo. (Essa engenharia de Deus!) E vi que elas podem pousar nas flores e nas pedras sem magoar as próprias asas. E vi que o homem não tem soberania nem pra ser um bentevi.

 - Manoel de Barros in "Memórias Inventadas - A Terceira Infância, Editora Planeta

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Marcas do tempo

Pela primeira vez visitei uma cidade histórica, minha surpresa foi grande, mas no começo só conseguia pensar nos escravos construindo a cidade, ao mesmo tempo que era lindo tinha seu ladinho angustiante. Pois bem são as marcas do tempo em Pirenópolis - Góias.




        

domingo, 25 de novembro de 2012

Toda Palavra


Viviane me inspira, sinto que ela mora em meu coração.   
Junto a pura necessidade única e genuína de escrever

domingo, 7 de outubro de 2012

Valente


Quero ser valente,
Contente,
Assim como sonho,
Nos banhos quentes.
Com presentes,
Por mim feitos,
Por mim recebidos,
Pelo fim correto,
Do meu centro, meu certo.
Ser minha contente,
Ser responsável pela minha alegria,
Ser excelente companhia,
Ser minha por direito de querer ser,
Pra ser vivida, ainda mais sadia,
Pra poder andar com próprios pedais,
Pra poder ser luz própria,
Feito estrela que decora o céu anil.
Poder ser água,
Poder ser sede,
Saber recuperar, saber curar.
Saber calar, saber falar.
Direito meu só meu de contemplar,
Olhar, imaginar,
Querer ser, infinitas vezes repito,
Pra ver se algo ainda cabe,
Aqui nesse espírito.
Às vezes falta ser valente,
Como faz pra ser contente?
Derramar, desiludir, presumir, decidir.
Querer ser, sem se olhar,
Não é ser, é imaginar. 

Sarah Caires 


Poema publicado prêmio Rima Rara

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

terça-feira, 14 de agosto de 2012


Ímpeto delicia-se com sabor da aventura,
Faz rara essa mascara na cara,
Não tem capacidade de mentir sentimentos,
Mesmo quando estremece tudo dentro do peito.