Sarah Caires


sábado, 28 de abril de 2012

Mozart

"Uma simples linha melódica desenha o contorno da alma tomada, ao mesmo tempo, pela angústia e pelo desejo; ela fala muito mais do que esse diálogo insignificante, o qual consegue banhar numa luz pertubadora."

 A Musica Classica, Óperas de Mozart. p.593

domingo, 22 de abril de 2012

Metade

Metade do início, metade do fim.
Meia-noite, meio-dia.
Metade da noite, metade do dia.
Metade do espetáculo, metade da avenida.
Metade é copo meio cheio.
Metade é copo meio vazio.
Metade do caminho.
Metade do livro.
Metade do tempo corrido.
Metade do tempo que se é preciso.
Metade medo.
Metade coragem.
Se te satisfaz com metade,
Não se quer por inteiro.
A vida e suas metades.
De imensidão só sol, céu e mar
suficiente para tentar alegrar.

sexta-feira, 6 de abril de 2012


Começa o inesperado e você acaba achando que irá se surpreender a cada instante. Há silêncios não ditos que todos entendem. Há respostas curtas de esforço não recompensado, mas vale ao ver a lua que aparece com hora marcada, seu brilho da noite acalma o calor do dia, com seu vento frio de outono. Pena não te ver por traz dessas lentes cansadas de procurar abrigo, que a cada canção inflama o desejo de resposta. Se nota a vida com o simples gesto de se maravilhar, luta incansável essa de extrair todos os detalhes e riquezas de uma cena, devia ser tanto quanto natural, mas esse velho tempo não quer precipitação desse coração forasteiro, que pode fazer tropeçar as pernas sobre o vento. A alma sente, o corpo cansa.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Onibus

          
       Quanto tempo não pego onibus lotado, é lotado ... Os horarios da faculdade são bem alternativos e o onibus chega a ser agradavel, comparado aos horarios de pico.  E o meu observar fez com que me desse vontade de escrever, e uma narrativa passava em cabeça ao olhar as pessoas. Entrei no onibus e fiquei em pé, na frente de uma senhora de meia idade, que jogava no celular, pensei, puxa me lembro de jogar esses jogos no primeiro celular que ganhei, e de como isso já faz algum tempo, e como nem faço mais isso. Me transportei pro meu ensino médio e como isso fazia parte do meu dia-a-dia, o onibus lotado, a mochila pesada, o barulho do motor, que me fazia aumentar o som do mp3, e com o tempo não me agradava ouvir tais sons juntos, até quando o mp3 quebrou, fiquei sem a minha trilha sonora diária.  A distração ficou a olhar pelas janelas, o mesmo caminho a todas as manhãs. 
        Incrivel como as vezes tenho medo de olhar quem senta ao meu lado, os pensamentos voam longe, quando temos que chegar a um lugar, ou simplismente lembrar de como foi o dia, ou a vontade de chegar logo em casa. Porque parece tão dificil dizer um bom dia, ou boa tarde há quem senta ao seu lado, seguindo o mesmo caminho e descendo em pontos diferentes, simplismente poder dizer: "Hoje ta quente, mas o céu esta lindo". Esse universo é tão individual quando estamos só. Uns com seus fones de ouvidos, outros a olhar pela janela, com sacolas e bolsas na mão.
         Agora o caminho não é tão longo como antes, o peso dos materias ainda exigem dos braços. O tempo passa, e o onibus continua fazendo sua mesma rota, levando aos lugares e transportando histórias que as vezes não são contadas, mas se enxergar com o olhar. 
 
          Ah, já ia me esquecendo, que orgulho nascer no mês da mulher, parabéns a todas nós!  

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

descobrindo ...


      Quando era criança ouvi minha mãe dizendo que quando se cresce não ve graça mais em tanta coisa, e eu não poderia imaginar que houvesse essa possibilidade, pois o mundo é tão grande, pensava em explorar, descobrir e aprender tudo que quissese, as vezes ela disse isso de boca pra fora, mas incrivel como desde criança cada palavra dita sempre pensava várias coisas, o que me deixava angustiada sempre era a pergunta 'O que você vai ser quando crescer?' Pensava nas profissões desde médico a caminhoneiro, e não me via em nenhuma, não via a clareza do caminho que eu poderia seguir, me sentia muito segura no meu ninho só queria esperar a hora certa pra decidir uma coisa tão dificil. Descobri em um tempo de tempestade, que trazia ventos fortes, que a unica segurança que meus pais me davam era me manter dentro de casa, que não tinham poderes magicos pra mandar a chuva pra longe e não poderiam fazer nada se acabasse a luz, se não fosse ascender uma vela. Enfim começava a descobrir como as coisas eram, e como a natureza era bela e temida ao mesmo tempo. Descobri que somos sós em nossos pensamentos e o que foi aprendido nunca poderia ser roubado, que fazendo o bem me traria o bem, e o que foi feito não poderia ser mudado, talvez consertado e aprendido. Descobri que somos sós nos nossos objetivos no sentido que a busca vem de dentro da gente, descobri que se eu quisesse algo teria que correr atras, o tempo vai passando e descobri que a  profissão que desejava teria que sair no mais profundo de mim, vejo o trabalho a busca sentido do SER e não do TER, o ter tinha que ser consequencia. Quando criança não sabia o sentido de nada do que sei agora, posso nem saber tanto assim, mas o que aprendi e que sempre dei valor é a voz do meu coração que custei pra decifrar suas mensagens, agora faço dele meu melhor amigo.